O ensino de língua portuguesa para pessoas com cegueira congênita: o signo e o verbalismo

Sonia Maria Deliberal

Considerações iniciais

Este capítulo encontra-se fundamentado na construção do signo tal como sugerida por Saussure (2012), assim como na aprendizagem da língua proposta por Vygostsky (2001), na estrutura da língua aventada por Benveniste (2005), na aprendizagem da pessoa com cegueira evidenciada por Amiralian (1986) e na ótica das vivências individuais e coletivas do sujeito indicada por Luria (1986).

Neste sentido, propomos como tema “A construção do signo pela pessoa com cegueira congênita”, assunto abordado por meio de depoimento de seus enunciadores. O objetivo geral da pesquisa é avaliar o processo de construção do signo realizada pela pessoa com cegueira congênita e, como objetivos específicos, buscamos verificar as estratégias para a construção da imagem acústica, identificando os verbalismos utilizados no contexto social.

Nesse cenário, é relevante a construção do signo, principalmente no intuito de demonstrar as etapas porque estudantes de Língua Portuguesa passam por meios dos canais sensoriais: tato, audição, olfato e paladar.

Para fins de análise, os depoimentos selecionados eram oriundos de diversos meios, tais como: revistas, livros e mídias, assim assumidos por seus enunciadores. Para tanto, concentramo-nos na formação do signo e no uso do verbalismo para análise da comunicação dos enunciadores.

Aporte teórico

Encontramos em Saussure (2012, p. 18) que a língua é “um sistema de signos distintos correspondentes a ideias distintas”. Para esse autor, o signo linguístico engloba dois elementos, a saber: um conceito e uma imagem acústica. O primeiro, mais abstrato; o segundo, a impressão psíquica desse som, ou seja, a representação que fornece o testemunho de nossos sentidos, logo, tal imagem é sensorial, de modo que o autor a nomeia de “material” (Saussure, 2012). Assim, em sua concepção, há um lado social e um lado individual, que se aplica quando a linguagem está subordinada à língua. Portanto, aquele só há se partir de um sistema que é comum a todos os falantes; já este é um organizador de uma estrutura específica.

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