A pronúncia no ensino de português língua estrangeira: Sou estrangeiro. como falo me identifica?
Aparecida Regina Borges Sellan
Introdução
No ensino do português brasileiro na modalidade de língua estrangeira (PBLE), tem se verificado uma dificuldade bastante presente no processo de ensino-aprendizagem que é o trabalho com a pronúncia. Sabe-se que a pronúncia está atrelada à concepção de “estrangeiridade” atribuída àquele que não realiza adequadamente os fonemas da língua que aprende. Essa dificuldade faz com que o aprendiz seja reconhecido como estrangeiro e, dependendo dos contextos em que atua, dos objetivos do aprendizado ou dos usos da língua, das razões para as interações, as marcas de pronúncia podem não ser bem aceitas, podem receber uma avaliação negativa em contextos menos esclarecidos.
O professor que atua nesse âmbito sabe que a questão envolve muitas variáveis, desde os processos de articulação – que são fisiológicos e individuais – até implicações socioculturais – que são sociais, portanto, grupais – que subjazem a toda aprendizagem.
Nessa questão, coloca-se como fator importante especificidades que o professor de português brasileiro como língua estrangeira deve conhecer e dominar. Assim, este capítulo tem por tema o ensino de pronúncias correntes no uso do português em território brasileiro. Objetiva tratar de alguns aspectos que envolvem tal ensino e que têm provocado dificuldades par alunos e professores. Observe que “pronúncias” se encontra, propositadamente, no plural, pois sabe-se que, em razão da extensão territorial do Brasil, há a possibilidade de muitas pronúncias. E não se pretende atribuir valores de correto/não correto, mas de frequência de uso, dependendo, ainda, da escolha do aluno, pois a pronúncia pode ser sim uma questão de escolha, escolha do modo como o indivíduo quer se representar, de como quer ser reconhecido, identificado. Assim, faz-se necessário colocar em pauta aspectos teóricos relativos a concepções sobre pronúncia (Silveira, 2008; Almeida Filho, 2016), à fonética (Silveira,) a sotaque (Gomes, 2022), a processos de ensino aprendizagem da pronúncia (Silveira, 2008; Martins, 2016). Serão apresentadas algumas ocorrências predominantes que confirmam a necessidade de estudos e pesquisas que ofereçam embasamentos teórico-práticos orientadores para atuação de professores na área de PBLE.
O que é sotaque?
De modo geral, sotaque é atribuído à forma como um falante ou grupo de falantes articula ou pronuncia as palavras de uma determinada língua, devido à sua origem geográfica, cultural ou social. O sotaque pode incluir variações no ritmo, na entonação, na ênfase, na velocidade e na pronúncia de alguns sons específicos da língua.
Gomes (2022, p. 48) define sotaque como: