Apresentação
Historicamente, o Brasil vem ocupando espaços cada vez mais importantes no contexto mundial, marcados pela expansão comercial e por questões políticas. Por essas razões, o lugar da língua portuguesa na variedade brasileira tem alçado espaços ainda não vistos. De modo geral, a língua portuguesa, especialmente no século XX e agora século XXI, vem recebendo reconhecimento global, justificado por processos migratórios, herança colonial – que levou a língua, não só para o continente americano, mas também para os continentes africano e asiático – e relações comerciais. Desse modo, os últimos anos do século passado e o início deste colocaram o Brasil em um patamar importante, que despertou interesses em diferentes grupos estrangeiros pela divulgação de nossa cultura via música, literatura, cinema, teatro, esporte, entre outros.
O olhar estrangeiro voltado para nosso país criou um campo novo para a língua portuguesa, pois abriu um nicho de pesquisa e ensino específico, o qual requer profissionais especializados para ocupar esse espaço. O espaço do ensino de português língua estrangeira.
Sob certa ótica, trata-se de uma área nova, uma vez que, em se tratando de ensino-aprendizagem, sempre se pensou na língua portuguesa como língua materna, voltada para falantes nativos. As teorias e metodologias mais conhecidas e aplicadas são aquelas voltadas para o ensino-aprendizagem da língua para alunos falantes nativos de português. Podemos dizer que, graças a Francisco Gomes de Matos, a partir da década de 1950, quando o professor, linguista e pesquisador passou a divulgar trabalhos na área de Linguística Aplicada voltados para o ensino de Inglês, é que a língua portuguesa falada no Brasil passou a ser reconhecida como tal. Esses trabalhos deram abertura para se pensar, de acordo com fundamentos da Linguística Aplicada, no ensino de português língua estrangeira. Ocorreu, também, em 1950, a criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP, que tem entre seus objetivos, além de promover a cooperação entre os países membros, promover e defender a língua portuguesa; tanto é que, em 1990, houve o reconhecimento oficial da língua portuguesa brasileira, pela CPLP e, em 2005, a inclusão do Português como língua oficial da União Europeia.
Esse novo espaço para a língua portuguesa – do PLE – tem evidenciado a necessidade de preparo específico de diferentes formas, desde a formação do professor especialista para atuar com o ensino, como também a produção de teorias e metodologias adequadas para novas práticas, até a produção de materiais didáticos apropriados para dar o suporte necessário nas aulas de PLE.
Ainda que nos últimos anos o ensino de PLE tenha sido objeto de discussão em grupos de pesquisa, seminários e congressos nacionais e internacionais, bem como tem-se a identificação de livros didáticos voltados para o ensino de PLE, de modo geral, observa-se haver carência de publicações que auxiliem os professores que estão atuando na área.
Assim, os capítulos que compõem esta obra são resultados não apenas de estudos e pesquisas realizadas pelo Núcleo de Pesquisa Português Língua estrangeira – NUPPLE- da PUC-SP, mas também resultados das experiências vividas pelos professores- pesquisadores- do grupo em suas aulas. Essas aulas são ministradas em diferentes contextos, seja no curso oferecido pela extensão da PUC-SP, seja em aulas ministradas em escolas de línguas, seja em aulas ministradas em institutos de acolhimento de refugiados ou mesmo para particulares.