A procura dos porquês
O que você quer dizer com isso? A frase que aterroriza os alunos do professor Anderson, ou como eu me permito chamá-lo – Mr. Horta, resume um pouco de sua trajetória. A curiosidade é a mola mestra de todo pesquisador. Querer entender o mundo, a partir dos seus objetos é uma das nossas tarefas.
Mas, se queremos entendê-lo, devemos perceber qual é o seu propósito. Muitas vezes no mundo acadêmico vemos pesquisas ou projetos para os quais tentamos criar explicações. Mas por quê a pessoa fez isso? E quando não encontramos a resposta, nossa frustração emerge. Seja um produto ou uma pesquisa, temos que entender seu propósito, ou como Anderson nos mostra neste livro, entender seu conceito.
Ao ler a obra, fui, ao longo do texto, pensando na trajetória do seu autor. Meu primeiro contato oficial com ele foi numa apresentação dos projetos de pesquisa do mestrado, quando Anderson era aluno. Vindo do mercado de trabalho, ele tentava explicar o porquê de sua pesquisa. Sem saber, naquele momento, ele definia o seu conceito. E iniciava uma parceria de longos anos.
Juntos já percorremos a América Latina, e espalhamos projetos por todo o país. Nunca houve um momento em que eu falasse vamos...e não houvesse a resposta, vamos! Esse é o intuito do pesquisador. A curiosidade frente aos desafios.
Mas, para além do pesquisador, vemos aqui aflorar o designer. Paralelamente ao trabalho acadêmico Horta não abre mão de criar coisas. O que me fascina no Design, e foi com ele que aprendi, é a possibilidade que temos de criar algo que faça sentido para as pessoas, que possa, por vezes, melhorar algo em suas vidas. E ele o faz de maneira exemplar.
Seja em projetos de pesquisa, seja em produtos. Nos seus 20 anos de profissão ele carrega a experiência de muitas realizações positivas, premiações e algumas frustrações também, e isso faz dele um profissional que sempre encara um novo desafio, pois não se contenta com um não.