Introdução

Designers com frequência se veem em dificuldade no processo de criação de conceitos para novos projetos. Com mais ou menos experiência, formação específica, generalista ou apenas prática, em qualquer que seja o campo de atuação em projeto, esse é um aspecto da atividade projetual comumente visto como desafiador, apesar de central.

A importância do conceito dificilmente é questionada, tanto no meio acadêmico quanto no âmbito da prática profissional do Design, mas paira um certo grau de nebulosidade sobre seus aspectos mais basais. Sua definição e interpretação já são uma primeira barreira, a depender da cultura que envolve quem lida com o assunto. Até mesmo quanto às maneiras de se expressar ou representar um conceito desenvolvido, não se vê um consenso. Contudo, um ponto em especial se apresenta como mais sensível: como gerar um conceito para um novo projeto.

Embora quase sempre o conceito seja cobrado durante a formação de profissionais do Design como uma das fases integrantes do processo projetual e sua importância seja raramente posta em xeque, existe uma lacuna sobre como chegar até um bom conceito quando se estuda a área. Essa lacuna gera uma série de problemas de ordem prática que se refletem ao longo da carreira dos profissionais, além de influir no estabelecimento de um grau de indeterminação ao redor do tema. Essa indeterminação pode levar a crenças limitantes ligadas à ideia de talento inato para a criação, dentre outros equívocos.

O que faço aqui é apresentar uma abordagem tão clara quanto possível sobre o tema do conceito em Design, discutindo sua definição, maneira de expressão e registro, culminando em um método de simples aplicação para criação e emprego desse elemento essencial para o processo de projetação, podendo ser utilizado em quaisquer áreas compreendidas pela disciplina.

Durante meu curso de graduação em Design, assim como relatado por muitos colegas, me sentia perdido em relação ao processo de criação. Os métodos projetuais, muitos que são, auxiliam grandemente. Contudo, aos olhos de alguém em formação, lidando pela primeira vez com o grande número de variáveis interdependentes inerentes ao processo criativo desse campo do conhecimento, o percurso projetual mais parecia um labirinto em que os corredores mudam de lugar quando não se está olhando. A tentativa e o erro são inerentes ao aprendizado e o exercício, guiado pelo método e pela experimentação, constrói conhecimento suficiente para o cumprimento das tarefas acadêmicas, claramente. Mas Design é mais do que cumprir tarefas a contento. A busca incessante por resultados que movessem as pessoas, que chamassem a atenção e, principalmente, fossem motivo de orgulho pela autoria me levava a passar horas diárias à procura de referências. Livros e mais livros sobre criação, biografias e portfólios de designers experientes, sites de celebridades do Design – tudo isso era visto e revisto a todo momento. Entretanto, o que podemos chamar aqui de cultura de área leva a reflexões provocadas por pares e professores sobre originalidade e identidade criativa. Buscar inspiração é parte do processo de construção de um designer, mas não para copiar. Pelo contrário, a procura é justamente por maneiras de diferenciação daquilo que já foi feito e está posto como exemplo a ser seguido. Construção de repertório, claro. Não é apenas de exemplos de design que se faz um designer. É de vivências, experiências, conhecimentos gerais ampliados, atenção aos detalhes, comportamentos, materiais, cores, texturas, processos produtivos, montagens, soluções técnicas, fontes de inspiração tão diversas quanto possível e assim por diante. Mesmo assim, tudo o que projetava, até perto do final do curso de graduação, parecia, na melhor das hipóteses, inadequado. Isso vale para quase todos os companheiros de classe, também frustrados com seus resultados produzidos para as disciplinas que envolviam exercícios de criação e desenvolvimento.

A um certo ponto, acreditei (e não estava sozinho) que a chave para bons projetos de Design estava nos mecanismos. Foi nessa fase que comecei a desenvolver traquitanas com três ou mais funções, que se dobravam, contraíam, rotacionavam ao redor de eixos e se transformavam de frente para trás e de trás para frente. Mesmo assim, a frustração era a mesma. Nenhum brilho no olhar dos espectadores.

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