A Triangulação Conceitual

Diante da infinidade de possibilidades ao se perseguir a geração de sentido para projetos de Design, é preciso decupar as informações para que escolhas sejam feitas. O processo de projeto é, em suma, um processo construído por escolhas. Contudo, é preciso escolher com critério e de maneira consciente, embasando as decisões projetuais a todo tempo. A configuração de um conceito não é exceção.

Como ideia inicial, pode-se conceber uma conexão existente entre tudo aquilo que tem significado em um meio social. A título de exemplo, um meme tem sentido porque se apoia em uma referência prévia, que pode ser um filme que, por sua vez, carrega sentidos inspirados em uma obra literária. Essa reflete valores e anseios de seu contexto de produção, convertendo aspectos imateriais em símbolos e signos interrelacionados, formando uma grande rede de significados, indissociável da cultura na qual tem origem, mas passível de reinterpretações múltiplas, podendo resultar em novos sentidos, a depender de seu acesso ou emprego.

Consideremos, então, essa analogia de uma rede de sentidos que se forma a partir de tudo aquilo que carrega consigo significado dentro das diversas culturas, em especial em um cenário mundializado. É assim que representam dois autores dos quais podemos lançar mão para tratar sobre a profusão de possibilidades de sentido em Design. Um deles é Verganti (2012), que apresenta o conceito de Design como Proposta, anteriormente mencionado, baseando-se na premissa de que designers são pessoas antes de serem profissionais, ou seja, estão expostos ao mesmo tipo de influência que seu público. Sendo assim, não são estranhos aos significados que circulam em seu meio social, podendo lançar mão de seu repertório pessoal para projetar novas propostas de significação materializadas em produtos. Em suma, trata-se de olhar para dentro de si para enxergar o que há fora, uma vez que seus desejos e anseios são semelhantes aos dos demais indivíduos imersos naquele mesmo contexto. Vale lembrar que o autor apresenta ressalvas a essa ideia, já que nem sempre os designers de um produto para determinado público fazem parte efetiva do mesmo grupo específico de seus alvos, em características potencialmente modificadoras de interpretação de sentido, tais como idade, etnia e tantas outras. Para sanar esse problema, Verganti (2012) apresenta os intérpretes, que nada mais são do que pessoas ou instituições que representam e espelham o público a ser atingido e que podem ser utilizados para seu entendimento.

Outro nome a ser lembrado para a compreensão da ideia de rede de valores e significados, esse em produção na área da Comunicação Social, é John B. Thompson, em seu livro Ideologia e Cultura Moderna, originalmente publicado em língua inglesa em 1990, traduzido e publicado em língua portuguesa em 1995 e reeditado em 2011. De maneira resumida, nesse título, Thompson aborda as relações de poder por meio da significação e da construção de uma rede de sentido que sustenta estruturas sociais em disputa. Para tanto, estabelece o conceito que vem a denominar de formas simbólicas, que seriam as manifestações diversas assumidas pelos significados e signos em todas as relações comunicacionais. O autor propõe a análise dessas formas simbólicas de maneira hermenêutica, dividindo suas vastas possibilidades de atuação e entendimento em três facetas correlatas, sem as quais sua compreensão seria incompleta e falha. São elas: produção, circulação e interpretação.

Nessa construção, mais uma vez tendo como premissa que Design é linguagem, torna-se possível encarar essa área do saber como sendo permeada e, simultaneamente, também produtora de formas simbólicas. Isso posto, diante dos desafios peculiares do Design, bem como de sua cultura propositiva em projetos, que não visa necessariamente explicar, mas construir e alterar sentidos, é possível vislumbrar, no manuseio dessa rede de significados, uma forma de extração de conceitos. É por essa via de combinação das ideias de rede de significados, atrelando-a à própria práxis do projeto, que se propõe, aqui, uma maneira particular de vislumbrar, organizar, dispor e empregar os mais diversos sentidos para a construção de conceitos para projetos de Design, valendo-se da ideia de que se trata de interpretações de partes escolhidas de uma cadeia virtualmente infinita de sentidos a serem sintetizados.

Como já mencionado, esses mesmos significados formadores dessa rede são, claro, interconectados. Dessas interconexões surgem novos sentidos, símbolos e signos. Ou seja, é a partir da associação de significados que se formam novos significados ou que são transformados os já existentes. Para que novos conceitos sejam formados, é preciso dispor das informações acerca da proposição do projeto e de tudo aquilo que o circunscreve.

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