Ensino de PLE: os casos opcionais na flexão do infinitivo pessoal, regra, uso e interferência cultural

Keyla L. Dragonetti
Aparecida Regina Borges Sellan

Introdução

O tratamento dado por estudiosos ao uso do infinitivo pessoal e impessoal é um tema controverso segundo os teóricos, sobretudo nos casos opcionais de flexão, o qual é comumente abordado na área da estilistica e não da regra de uso. Almeida (2009) contrapõe-se a essa discussão. Segundo o teórico, o infinitivo flexionado pertenceria mais à gramática do que à estilística, uma vez que a dúvida no uso estaria realcionada com a analogia à conjugação dos verbos regulares no futuro do subjuntivo, em que há igualdade morfológica, porém diferença sintática. De acordo com Lima (1957, p. 502), a ausência de regras fixas, precisas e abrangentes, capazes de determinar a flexão do infinitivo pessoal em todas as suas hipóteses de ocorrência, é um desafio que restringe o falante ora ao estilo, ora ao plano morfológico da flexão número-pessoal, ora ao nível sintático, relativo à presença ou não de sujeito. Tendo em vista essa realidade, entendemos a necessidade de os professores e estudantes estarem preparados para enfrentar o desafio de optarem entre a forma flexionada ou não, além de lidarem com a flutuação entre o subjuntivo presente e o infinitivo pessoal nos casos opcionais.

Tratamento dos estudiosos brasileiros para o uso do infinitivo pessoal

A questão do infinitivo pessoal tem sido tratada como um fenômeno particular da língua portuguesa, já que, dentre as línguas românicas, não há ocorrências dessa natureza. No que diz respeito à flexão opcional, alguns estudiosos, como Cunha e Cintra (2016), referem-se a ela como sendo uma tendência de uso. De acordo com os autores:

... o emprego das formas flexionadas e não flexionadas do infinitivo pessoal é uma das questões mais controvertidas da sintaxe portuguesa. Numerosas têm sido as regras propostas pelos gramáticos para orientar com precisão o uso seletivo das duas formas. Quase todas, porém, submetidas a um exame mais acurado, revelaram-se insuficientes ou irreais. Em verdade, os escritores das diversas fases da língua portuguesa nunca se pautaram, no caso, por exclusivas razões de lógica gramatical, mas se viram sempre, no ato da escolha, influenciados por ponderáveis motivos de ordem estilísticas, tais como o ritmo da frase, a ênfase do enunciado, a clareza da expressão. Por tudo isso, parece-nos mais acertado falar não de regras, mas de tendências ... (Cunha; Cintra, 2016, p.499).

Para Bechara (2009), a presença de desinências nas formas flexionadas ou não flexionadas, distingue o infinitivo das demais formas nominais, ou seja, gerúndio e particípio, pois elas definem as pessoas do discurso, o que o pode variar de acordo com sua posição sintática. Por essa razão, o infinitivo deveria ser analisado com mais atenção, na medida em que pode assumir diferentes posições sintáticas.

Houaiss (data) descreve o “infinitivo pessoal” da seguinte forma:

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