Estereótipos e discursos: (des)construção de imagens nas relações professor, aluno e estrangeiros
Augusta Maria Machado & Elenice Alves da Costa
Considerações iniciais
O termo “estereótipo” tem raízes etimológicas no grego antigo e é formado pelas palavras stereos, (firme ou sólido) e typos (marca ou impressão). Originalmente, faz referência a uma matriz usada em impressão tipográfica de metal ou madeira para imprimir várias vezes texto ou imagens idênticas. No contexto social, o conceito foi ampliado para descrever crenças fixas e generalizadas sobre grupos sociais.
Como citado por Kruger (2004.p.36), estereótipo é “como crença coletivamente compartilhada acerca de algum atributo, característica ou traço psicológico, moral ou físico atribuído extensivamente a um agrupamento humano...”. Ainda, segundo o autor, os estereótipos “influenciam condutas e comportamentos sociais...”.
Lippmann (2008, p. 41 e 94) afirma que estereótipos são “as limitadas mensagens do mundo exterior...”, são como imagens mentais. Segundo ele, “Um estereótipo pode ser transmitido de uma forma tão consciente e peremptoriamente em cada geração de pai a filho que parece ser quase um fato biológico.” Nas palavras desse mesmo autor, percebe-se que os estereótipos são imagens fixas, não permitem fluidez de assuntos, de imagens diversas, logo, nos afastam das contradições, nos distanciam das experiências:
...estas preconcepções, a menos que a educação tenha nos tornados mais agudamente conscientes, governam todo o processo de percepção. Eles marcam certos objetos como familiar ou estranho, enfatizando a diferença, de forma que o familiar é visto como muito familiar, e o de alguma forma estranho como profundamente alienígena. (Lippmann, 2008, p. 91).
No contexto da noção de estereótipo, surgem discursos que revelam práticas sociais impregnadas de preconceitos étnico-sociais, uma vez que os efeitos dos discursos recaem sobre as relações sociais e sobre os sistemas de conhecimento e de crenças.