O texto escrito no ensino de Português Língua Estrangeira: contribuições da Análise Textual do Discurso no processo de ensino-aprendizagem
Gabriela Mascarenhas Mazaro Preto
Considerações iniciais
O ensino e a aprendizagem de Português Língua Estrangeira (PLE) têm suas especificidades. Nesse sentido, quando objetivamos aprender um novo idioma, o que inicialmente se pretende é a aquisição de uma competência comunicativa oral (compreender e ser compreendido), em que sejamos capazes de interagir nos mais variados contextos sociais. Ocorre que, a plena proficiência numa nova língua está relacionada, também, à competência escrita e deve receber a merecida atenção no processo de aquisição do idioma.
Os objetivos de quem procura aprender o PLE podem variar entre o pessoal e o profissional e, diante do número crescente de alunos estrangeiros que pretendem obter a cidadania brasileira, devemos levar em consideração a proficiência escrita desses estudantes, os quais vão enfrentar um exame que exige a escrita de textos nos mais variados contextos sociais e, consequentemente, devem dominar os diversos gêneros textuais presentes na sociedade.
No Brasil, o Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (CELPE-BRAS) é o exame oficial para certificar proficiência em português como língua estrangeira. Esse exame é aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e é realizado semestralmente.
O CELPE-BRAS exige o uso da linguagem com um propósito social e propõe a realização de uma ação mediada pelo uso da linguagem por meio de textos organizados de forma socialmente construída. Os gêneros mais cobrados são: carta pessoal, carta aberta, e-mail, anúncio, panfleto, resumo, requerimento, editorial, blog e notícia. É importante ressaltar que, os enunciados do exame vêm acompanhados de textos e vídeos chamados de “elementos provocadores” os quais servem de base para que o candidato desenvolva a escrita do texto exigido. Dessa forma, estamos diante de uma vasto campo da linguagem em que devemos dominar os textos informativos, os argumentativos, os expositivos, os descritivos e os dialogais.
Na prática, o ensino da escrita do PLE, com suas especificidades, podemos encontrar dificuldades didáticas e metodológicas para transmitirmos os conhecimentos necessários a fim de que o aluno atinja a proficiência escrita adequada do tipo e/ou gênero textual cobrado no exame. Assim, com base na Análise Textual dos Discursos, enxergamos um caminho para o ensino de PLE, com foco na escrita, para que o ensino e a aprendizagem sejam pautados na elaboração de estratégias textuais para que o aluno se coloque em determinada posição social (enunciador) e, a partir dessa posição, compreenda os textos orais e escritos que foram apresentados no exame como textos provocadores e, assim, selecione as informações necessárias e escreva a uma determinada pessoa ou grupo de pessoas (interlocutor) para realizar uma determinada ação (propósito).