O protagonismo feminino no conto “Felicidade Clandestina”, de Clarice Lispector

Cíntia Barbone Oliveira

Considerações iniciais

Quando eu aprendi a ler e a escrever, eu devorava os livros! (...) Eu pensava que livro é como árvore, é como bicho: coisa que nasce! Não descobria que era um autor! Lá pelas tantas, eu descobri que era um autor! Aí disse: ‘Eu também quero.’

Clarice Lispector (apud Gotlib, 2013 p. 112)

A célebre frase aristotélica “A Arte imita a Vida” (e para alguns, a Vida imita a Arte) é capaz de nos fazer refletir sobre diversos aspectos quando pensamos no processo de leitura do texto literário. A Literatura é um tipo de Arte? A Literatura é o espelho da sociedade ou é um recurso capaz de influenciar e moldar aspectos sociais? Quais características permitem a uma obra literária transcender tempos e influenciar culturas?

Para responder a tais questionamentos, o nosso estudo analisa o protagonismo feminino no conto “Felicidade Clandestina”, de Clarice Lispector – escritora ucraniana, naturalizada brasileira, considerada, por muitos estudiosos, como uma das maiores escritoras de todos os tempos.

Dentre diversas publicações, Clarice (empregaremos o prenome da autora em nosso estudo) produziu a coletânea de contos "Felicidade Clandestina", do qual analisaremos o conto homônimo. Publicado pela primeira vez em 1971, a obra apresenta fatos autobiográficos, relatando recordações de Clarice, quando vivia em Recife, na época de sua infância. Gotlib (2013) esclarece que Clarice lutava pelo “não autobiográfico”, mas, de acordo com a estudiosa, Clarice embora queira escapar das memórias, não escapa (Gotlib, 2013, p. 119). Para a estudiosa,

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