MAS AFINAL...

“O que é design?”. Esse é um questionamento que muitas e muitos designers já ouviram de amigos ou de familiares. Não consigo nem lembrar quantas vezes já tive de buscar uma resposta a essa pergunta, de maneira mais ou menos simples. A quantidade de vezes pouco importa; porém, uma coisa é certa: a busca por uma resposta satisfatória é sempre um desafio. Logo penso: “nem mesmo designers conseguem chegar a um acordo sobre o que é design...”. Isso é um fato, mas a pessoa espera uma resposta de verdade. Para evitar que o silêncio constrangedor se prolongue, em muitos casos, costumo recorrer a exemplos:

Esses exemplos bobos evidenciam o fato de que o “design” está presente em diversas dimensões de nossas vidas, ainda mais em um contexto urbano/ocidentalizado. Através deles o design (e para que ele serve) se torna mais palpável. Mas não somente. Além de ajudar a explicar o que se entende por design, esses exemplos alimentam nosso grandessíssimo ego de designer. Faz nos sentirmos importantes. “Temos impacto”, pensamos. Entretanto, essa resposta esconde uma tentativa interna de fuga da responsabilidade que também temos sobre as crises que têm se originado de uma forma particular de cultura material (ainda que, em um âmbito pessoal, tal responsabilidade seja pequena). Ao ficar na superfície, atendo-se ao que se materializa e fica aparente, esse tipo de resposta oblitera os danos socioambientais causados pelo design e pela indústria.

Além disso, tal resposta – quase automática – exemplifica o fato de que, ao tentar pensar no que faz uma/um designer, a primeira associação a emergir está quase sempre relacionada a um objeto de consumo, seja ele mais ou menos elaborado, tangível ou intangível – seja um lápis, um caminhão, um aplicativo ou um livro. Mas não é óbvio? A sociedade de consumo e o design cresceram juntos! A cultura material e as “maravilhas tecnológicas” que a indústria nos propiciaram passaram pelas mentes, pranchetas e computadores de profissionais do design, da arquitetura e da engenharia. Foram “cuidadosamente” planejadas, calculadas, diagramadas, desenhadas, projetadas. Frutos do “espírito transformador da modernidade”, esses campos consolidaram a cultura material do ocidente e massificaram os benefícios da sociedade de consumo para uma parcela maior da população. Pelo menos é como nos ensinam…

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